Diagnóstico de Covid em crianças dispara em hospitais de São Paulo

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Muitos pais estão aproveitando a ida aos hospitais ou as consultas virtuais com pediatras para esclarecer dúvidas sobre a vacinação

Cláudia Colucci
São Paulo, SP

Desde o início do ano, a taxa de diagnóstico positivo para a Covid-19 disparou nos hospitais infantis de São Paulo, enquanto a da gripe influenza está em queda. As internações também apresentam tendência de alta, mas em ritmo bem menor.

Muitos pais estão aproveitando a ida aos hospitais ou as consultas virtuais com pediatras para esclarecer dúvidas sobre a vacinação contra a Covid-19. Na capital paulista, a prefeitura planeja começar a vacinação de crianças de 11 anos na próxima segunda-feira (17).

Nos três hospitais públicos infantis paulistanos (Menino Jesus, Darcy Vargas e Cândido Fontoura), o aumento de internações por SRAG (síndrome respiratória aguda grave) na última semana foi de 8% (de 37 para 40 internados), mas, na avaliação do consolidado dos últimos seis meses, o total de crianças internadas hoje é 82% maior do que o registrado em julho, segundo análise do Info Tracker, projeto da Unesp e da USP que monitora dados da pandemia.

Devido ao apagão de dados no sistema de notificação oficial do Ministério da Saúde e à subnotificação de casos de estados e municípios, não há dados nacionais sobre a alta da Covid no público infantil.

No maior hospital pediátrico do país que atende o SUS, o Pequeno Príncipe, em Curitiba (PR), foram 102 casos confirmados para Covid nos 12 primeiros dias do ano, com oito internações, contra 20 casos e duas internações em todo o mês de dezembro. A instituição registrou também quatro casos de “flurona” (coinfecção da gripe influenza com a Covid).

Na Rede de Hospitais São Camilo, em São Paulo, foram 993 atendimentos pediátricos por sintomas respiratórios nos dez primeiros dias do ano. No período, 39 crianças com diagnóstico de Covid foram internadas. Na última quarta (12), seis estavam hospitalizadas.


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No Hospital Sírio-Libanês, a taxa de positividade nos exames de Covid em crianças está em 36%. Há uma semana, estava em 21,4% e, em dezembro, em 7%.

No Hospital Infantil Sabará, a taxa de exames positivos para Covid subiu de 2%, em meados de dezembro, para 20%, na semana passada. Agora, está em 28%. Já a de influenza chegou a 62% na semana do Natal, caiu para 40% no início do ano e agora está em 15%. Por dia, o hospital tem internado de quatro a cinco crianças com Covid. Nesta quarta (12), havia oito internadas, o dobro de uma semana atrás.

“Felizmente o tempo médio de internação desses pacientes é baixo, em média dois dias”, afirma o infectologista Francisco Ivanildo de Oliveira Junior, gerente de qualidade do Sabará.

Segundo o pediatra Claudio Schvartsman, vice-presidente da Sociedade Israelita Albert Einstein, a maioria das internações se refere a crianças com comorbidades, como asma e bronquite, ou com doenças que demandam uso de medicações imunossupressoras.


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Assim como em outros serviços de saúde do país, ambos os hospitais só estão testando para a Covid as crianças que passam pelo pronto-atendimento com sintomas mais sérios e que, em geral, precisam de internação. “Devido à redução da disponibilidade de testes, a gente está tendo que fazer uma racionalização”, diz Oliveira Júnior.

Nos casos leves, segundo ele, o teste positivo não vai influenciar na conduta clínica. A orientação é para que a família se comporte como se fosse Covid. “Nessa situação epidemiológica atual, síndrome gripal sem identificação do agente etiológico é igual a isolamento para Covid.”

No Hospital Albert Einstein, em duas semanas, o índice de positividade nos testes de Covid saltou de 12% para 32%. Sete crianças estavam internadas nesta quinta (13), contra cinco há uma semana.

“Dessa vez, diferentemente das outras ondas, a Covid está afetando a faixa etária das crianças pequenas. Felizmente, na maioria dos casos, a doença vem se comportando como um resfriado de pequena ou média intensidade. Tem uma duração de três ou quatro dias e depois começa a melhorar”, diz Schvartsman.


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Segundo Oliveira Júnior, do Sabará, além dos sintomas respiratórios clássicos, algumas crianças com diagnóstico de Covid vêm apresentando manifestações gastrointestinais, com vômito, diarreia e dor abdominal. Às vezes, esses sinais aparecem sozinhos, sem febre ou outros sinais gripais.

A orientação, afirma o médico, é para que, diante de queixas leves e se a criança estiver com um bom estado geral, os pais utilizem primeiro a ferramenta da telemedicina ou entrem em contato com o pediatra da criança antes de se deslocar até o hospital.

“Devem ir ao PS se surgirem sinais de alerta como febre prolongada que não cede, desconforto respiratória, se a criança muito pequena estiver hipoativa [alheia ao que se passa ao seu redor], parar de aceitar alimentação. Aí, sim, precisam de avaliação presencial e eventual internação.”


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Schvartsman, do Einstein, diz que a demanda por atendimentos por telemedicina está alta e que muitos pais estão aproveitando as consultas para se orientar sobre se devem ou não vacinar os filhos contra a Covid.


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“Em geral, a justificativa para a dúvida é que ainda é uma vacina nova e que a doença, em crianças, costuma ser leve. É uma meia verdade. Em números absolutos, não é um contingente pequeno de mortes, é maior que a mortalidade de outras doenças para as quais também há vacina. Eu sempre digo que a relação custo e benefício [da vacinação] compensa.”

A professora Cristina Diniz, 45, é uma das pessoas que ainda têm dúvida em relação à vacina infantil contra a Covid. Ela, o marido, a filha adolescente, de 15 anos, e o filho, de nove anos, contraíram Covid em uma viagem à Bahia no final do ano. Os sintomas foram leves. O casal e a filha estão vacinados. “Se meu filho foi infectado, ainda assim ele precisa de vacina? Já não está imunizado?”

Segundo a pediatra Talita Rizzini, coordenadora do serviço de pediatria do Hospital Leforte da unidade Liberdade, mesmo que a criança já tenha tido Covid, é importante que ela se vacine devido às mutações do Sars-Cov-2 e à possibilidade de surgimento de novas variantes.

“A vacinação é muito importante porque, com os anticorpos formados, quando a criança entrar em contato com o vírus, a resposta imunológica é mais rápida, o que traz menor gravidade ao caso”, afirma. O serviço de pediatria tinha sido suspenso durante a pandemia e será reaberto neste sábado (15).

Fonte: Conteúdo Retirado do Site R7

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